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Mensagens

(C)alma

Pai... Tem algum tempo que não escrevo aqui para ti...tornou-se demasiado doloroso e o tempo, esse maldito tempo nem tudo resolve e...existem alturas em que não nos sentimos tão fortes ou tão capazes de aguentar as lágrimas e cair, ainda que sem nunca ter saído, na realidade. Estou confinada a casa, a mãe está confinada a casa. Cada uma sozinha... Temos falado muito de ti, se cá estivesses com esta pandemia. Quase que te imaginamos, do alto das tuas hiper mega preocupações e cuidados com a tua doença, e no meio disso tudo eu a atazanar-te ainda mais com precauções e "faz isto e aquilo". Seria sem dúvida preocupante, vou vendo as noticias sobre os doentes renais e ainda que não me pareça uma constante preocupação pelo facto de estarem esquecidos...mas tenho em mim que as clinicas conseguem estar minimamente precavidas já de si, uma vez que os tratamentos de diálise são tão rigorosos... Respiro de alivio por estares "protegido" deste vírus mas depois pá...

Tempo de Saudades

Abril de 2020. Vivemos em tempos como nunca antes havíamos pensado ter ou sequer existir nas nossas vidas. É muito para além daquilo que poderíamos imaginar porque a verdade é que quando olhamos as noticias, pouco depois passamos ao lado e esquecemos. Tão simples assim. Começou a ouvir-se falar num vírus, algures pela China. Ouvia-se o telejornal e nada indicava que viesse ter connosco...até porque "essas coisas" são desses países longes...Pois. Só que não. A 19 de março de 2020 e depois de já anteriormente ter sido recomendado ficar em casa, o mais resguardado possível, foi decretado estado de emergência no nosso Portugal. Nunca antes visto...e tudo alterou. Consciencializar as pessoas para estar fechadas em casa, obrigar a fechar espaços de ajuntamento social, condicionar todos os hábitos que adquirimos nos nossos dias em prol duma prevenção extremamente necessária. Hoje é dia 8 de abril e continuamos confinados às nossas casas. Tirando aqueles que existe a...

Recomeça...

Sísifo Recomeça… Se puderes, Sem angústia e sem pressa. E os passos que deres, Nesse caminho duro Do futuro, Dá-os em liberdade. Enquanto não alcances Não descanses. De nenhum fruto queiras só metade. E, nunca saciado, Vai colhendo Ilusões sucessivas no pomar E vendo Acordado, O logro da aventura. És homem, não te esqueças! Só é tua a loucura Onde, com lucidez, te reconheças. Miguel Torga

[Ela]

A sensação constante de querer chegar a algum lugar. A vontade imensa de querer pegar no mundo como quem levanta um globo, só com uma mão e rodá-lo, girar, abanar, mexer até ir de encontro com o meu querer. Ela é um espírito livre, ou pelo menos assim o tenta ser...livre como um pássaro, que não se deixa agarrar facilmente. Mantem a vontade constante de não se limitar: sempre mais...Ser mais, ir mais, sorrir mais, abraçar mais, querer mais, viver mais. Trás dentro dela o jeito suave da brisa dos dias de verão e o mar tempestivo dos dias de inverno. Nuns dias toda ela emana calma, noutros é toda a revolta dum mar bravio. Não teima em guardar em si nada que não lhe pertença mesmo que para isso tenho de doer.  Teimosa por natureza, uns dias deixa os outros pensar que a intimidam quando são eles próprios que estão intimidados. Na pele consegue guardar tanto o salgado do mar como o doce dos raios de sol. O cheiro que emana provem sempre do mesmo creme, do mesmo perf...

O grito

Pai, Dois anos e sete meses...um total de 31 meses. Desta vez demorei a pensar no que realmente queria aqui colocar. Hoje sinto revolta dentro de mim.  Hoje a raiva apoderou-se da menina. Hoje quem escreve não é portanto a menina, mas é uma mulher. Uma mulher zangada pelas escolhas. Uma mulher que luta sempre mas que por vezes gostaria de baixar a guarda.  Uma mulher que é filha e que está danada com o pai. Desacreditada da fé. E fodida com o sofrimento da vida. Sim, é isso mesmo! Sem medo da palavra ser demasiado violenta. Porque violenta é a forma com que temos de nos desenvencilhar para atenuar uma dor que corrói o nosso interior e por vezes nos leva também a corroer todos os outros que estão à nossa volta e não têm culpa.  Mas nós também não temos. Então quem raio tem? Hoje, ao fim destes meses todos grito contigo. Grito para ti.Questiono-te. A ti e a mim.Culpo-me.Sim. Mas também te culpo a ti. Culpo-te. Sim, culpo-te. Porque me deixaste? Porq...

Renovação

Por vezes existem coincidências que nos fazem pensar... Já faz algum tempo que não abro o blog para escrever, confesso. Hoje não sei bem porquê senti vontade...e qual não é o meu espanto ao ver que a data da última publicação já faz um ano este mês. Mas no fundo eu percebo o porquê. Estes últimos anos não têm sido fáceis. Escrevi mensalmente entre 2016 e 2017 porque acho que era mais fácil deitar para fora a dor que sentia quando as palavras faladas teimavam em não sair. Mas era sempre doloroso. Aliás, é sempre doloroso escrever sobre a nossa dor, o nosso luto, a nossa raiva e agonia. Escrever sobre as saudades. E talvez por isso tenho optado por fazer uns pequenos apontamentos mensais nas redes sociais que temos diariamente à nossa mercê. Limito as palavras, guardo uma parte e publica uma outra...mais leve e rápida. Os longos textos lidos ainda agora por mim assim em jeito de relance avivam a dor, relembram o que não se esquece mas que o tempo atenua. Gosto de os reler si...

Eu e Tu

Paizito, Todos os dias tento não esquecer de onde venho. Tento não esquecer quem sou e de onde vêm as minhas raízes. Tento não esquecer para onde vou, e quem esteve sempre ao meu lado. Tento não esquecer o que quero e principalmente o que não quero. Tento não esquecer que sou uma menina forte, e que se sou posta à prova é porque em alguma altura eu irei conseguir. Ultrapassar. Recomeçar. Erguer. E não parar. Fazes-me falta, disso não preciso de me lembrar. É inevitável. As saudades pioram com o tempo…tempo que atenua e nada cura. O coração é pequeno para tanta falta que me fazes, para tanto sentimento guardado, para tanto sorriso não aproveitado, para tanto toque sem resposta…Não choro tantas vezes, e ainda não consegui sentir se isso é bom ou não… Tenho percebido que esta sensação interior que ficamos quando perdemos alguém não passa. Para quem perde não passa. Aos outros que nos rodeiam a memória torna-se curta… No inicio fiquei triste com isso, hoje em dia simplesme...