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Mensagens

[Ela]

A sensação constante de querer chegar a algum lugar. A vontade imensa de querer pegar no mundo como quem levanta um globo, só com uma mão e rodá-lo, girar, abanar, mexer até ir de encontro com o meu querer. Ela é um espírito livre, ou pelo menos assim o tenta ser...livre como um pássaro, que não se deixa agarrar facilmente. Mantem a vontade constante de não se limitar: sempre mais...Ser mais, ir mais, sorrir mais, abraçar mais, querer mais, viver mais. Trás dentro dela o jeito suave da brisa dos dias de verão e o mar tempestivo dos dias de inverno. Nuns dias toda ela emana calma, noutros é toda a revolta dum mar bravio. Não teima em guardar em si nada que não lhe pertença mesmo que para isso tenho de doer.  Teimosa por natureza, uns dias deixa os outros pensar que a intimidam quando são eles próprios que estão intimidados. Na pele consegue guardar tanto o salgado do mar como o doce dos raios de sol. O cheiro que emana provem sempre do mesmo creme, do mesmo perf...

O grito

Pai, Dois anos e sete meses...um total de 31 meses. Desta vez demorei a pensar no que realmente queria aqui colocar. Hoje sinto revolta dentro de mim.  Hoje a raiva apoderou-se da menina. Hoje quem escreve não é portanto a menina, mas é uma mulher. Uma mulher zangada pelas escolhas. Uma mulher que luta sempre mas que por vezes gostaria de baixar a guarda.  Uma mulher que é filha e que está danada com o pai. Desacreditada da fé. E fodida com o sofrimento da vida. Sim, é isso mesmo! Sem medo da palavra ser demasiado violenta. Porque violenta é a forma com que temos de nos desenvencilhar para atenuar uma dor que corrói o nosso interior e por vezes nos leva também a corroer todos os outros que estão à nossa volta e não têm culpa.  Mas nós também não temos. Então quem raio tem? Hoje, ao fim destes meses todos grito contigo. Grito para ti.Questiono-te. A ti e a mim.Culpo-me.Sim. Mas também te culpo a ti. Culpo-te. Sim, culpo-te. Porque me deixaste? Porq...

Renovação

Por vezes existem coincidências que nos fazem pensar... Já faz algum tempo que não abro o blog para escrever, confesso. Hoje não sei bem porquê senti vontade...e qual não é o meu espanto ao ver que a data da última publicação já faz um ano este mês. Mas no fundo eu percebo o porquê. Estes últimos anos não têm sido fáceis. Escrevi mensalmente entre 2016 e 2017 porque acho que era mais fácil deitar para fora a dor que sentia quando as palavras faladas teimavam em não sair. Mas era sempre doloroso. Aliás, é sempre doloroso escrever sobre a nossa dor, o nosso luto, a nossa raiva e agonia. Escrever sobre as saudades. E talvez por isso tenho optado por fazer uns pequenos apontamentos mensais nas redes sociais que temos diariamente à nossa mercê. Limito as palavras, guardo uma parte e publica uma outra...mais leve e rápida. Os longos textos lidos ainda agora por mim assim em jeito de relance avivam a dor, relembram o que não se esquece mas que o tempo atenua. Gosto de os reler si...

Eu e Tu

Paizito, Todos os dias tento não esquecer de onde venho. Tento não esquecer quem sou e de onde vêm as minhas raízes. Tento não esquecer para onde vou, e quem esteve sempre ao meu lado. Tento não esquecer o que quero e principalmente o que não quero. Tento não esquecer que sou uma menina forte, e que se sou posta à prova é porque em alguma altura eu irei conseguir. Ultrapassar. Recomeçar. Erguer. E não parar. Fazes-me falta, disso não preciso de me lembrar. É inevitável. As saudades pioram com o tempo…tempo que atenua e nada cura. O coração é pequeno para tanta falta que me fazes, para tanto sentimento guardado, para tanto sorriso não aproveitado, para tanto toque sem resposta…Não choro tantas vezes, e ainda não consegui sentir se isso é bom ou não… Tenho percebido que esta sensação interior que ficamos quando perdemos alguém não passa. Para quem perde não passa. Aos outros que nos rodeiam a memória torna-se curta… No inicio fiquei triste com isso, hoje em dia simplesme...

Vida

Pai, Não sei se ainda tenho muito mais para escrever...mas acho que penso sempre isto mesmo quando começo... Nestes últimos meses muitas perguntas têm ecoado dentro de mim, na cabeça mas também no coração. Tenho pensado bastante no que quero para mim e naquilo que não quero. Tal como tu, não é? Eras uma pessoa de "pão pão, queijo queijo"... Dizias tanta vez "É assim Andreia, ou gostam ou não gostam". E sabes é isso mesmo...ou se gosta verdadeiramente ou de nada adianta correr atrás. Seja de amores, de amigos, de pessoas que fazemos questão de ter quase à força à nossa volta. Sei que gostavas muito de mim. Não somente enquanto Pai, mas como amigo, como ouvinte, como contador de peripécias...eras uma alegria e sinto que isso me fugiu das mãos e essencialmente do coração... Sei também que não te poderia prender a mim, apesar de eu estar muito presa...No fundo nem sei se alguma vez tentei desamarrar-me...sai de casa sim, tinha a minha vida, as minhas cois...

Um ano sem Ti

Pai, No próximo dia 14 de junho faz um ano que passámos pelo momento mais difícil e doloroso da nossa vida. Não existem palavras acertadas para descrever a batalha de sentimentos que se trava quando se perde alguém que se ama. Instantes em que perdemos o chão, o coração endurece, o riso dá lugar às lágrimas, as noites são um buraco escuro de memórias e os dias vão-se perdendo no vazio da alma. As saudades tornam-se cada vez mais, a necessidade de ouvir a voz, de sentir o cheiro, a sensação do toque…tudo gestos que acabamos por não perceber o verdadeiro significado do quão é importante poder usufruir de cada um deles. Difícil é dizer pouco. Aceitamos a dor, vivemos com o desconforto e abrigamo-nos na escuridão. Sobrevivemos. Foi o que fizemos durante este ano. Eu e a mãe. Mas ao recordar-te enquanto pessoa fantástica que sempre foste, lembrei-me duma coisa: ensinaste-me a lutar. Mostraste sempre que vale a pena lutar. Foste vencido mas nunca desististe, e isso nós sabemos, nós ...

A Fé

Pai, Maio chegou e com ele 11 meses que contam a falta da tua presença física na minha vida. Inevitável não contar. Inevitável não recordar. Dia após dia, aguardo o retorno do tempo…para se seja mais fácil esta tua falta. Acredito que sim. Creio com todas as minhas forças. Creio…tenho fé…peço à força maior, lá em cima, algo que nos guia, que me ajude. Que faça o tempo avançar para atenuar mais rapidamente este vazio, se é que isso é possível ou existe sequer… Este mês também é inevitável não falar de fé. Fé… significado distinto para cada um de nós. Tão diferente, mas tão igual. Fé…com o sentido da Esperança. Da Paz. Do Amor. Sempre foste um Homem crente na Vida, um ser humano crente nas pessoas, um pai crente nos princípios e na união. E a mim ensinaste-me a respeitar tudo isso e acima de tudo a Acreditar. Acredito que ao acreditar que estás bem, fico tranquila e em Paz. Acredito que ao acreditar que estás sempre ao meu lado, fico com o coração cheio de Amor. ...