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Mensagens

Coragem

Pai, A palavra que escolhi para este mês é “coragem”… recebi uma pulseirinha muito bonita com uma medalha e a primeira palavra que me veio á boca antes mesmo do que poderia ser o teu nome, foi “coragem”. Porque 7 meses sem ti são literalmente uma merda, desculpa a expressão. Porque o último mês foi demasiado difícil por ser natal, depois por ser o fim de um ano que queremos mandar para bem longe. Porque é o recomeço de um novo ano, duma nova etapa e questionamos como iremos na verdade andar para a frente… Gostar de viver mas não saber como viver com a tristeza cá dentro, com a perda, com a dor, com as saudades, esse é o dilema parece-me. Como continuamos a viver sem aqueles que amamos? Com coragem, é o que repito a mim própria ultimamente. Coragem para saltar da cama e respirar fundo. Coragem para não chorar e sorrir. Coragem para recordar sem doer e falar sem sentimento de culpa. Coragem para acreditar que me acompanhas. Para confiar nas minhas intuições. Para aceitar a mudan...

Carta ao Pai Natal

"Querido Pai Natal,  Aproxima-se a altura dos muitos pedidos dos meninos e das meninas depois de um ano longo, a ansiedade chega a cada um de nós...todos esperamos recompensas e sei que não costumas abandonar nenhum dos teus pedidos. Acho que sabes que nunca fui uma menina de pedinchar assim muito, mas este ano é um ano especial e portanto o pedido também ele é deveras especial. O que gostaria de ter aqui ao pé de mim, sabes Pai Natal, era também o meu pai. Não é assim um Pai natal de barbas brancas como tu, mas é também Pai e sabes, faz-me muita falta. Tu sabes essas coisas não sabes? O meu pai não me dava muitas prendas como tu trazes no teu grande saco, mas eu não me importava, dava-me a maior das prendas, sei-o agora já crescida...amou-me sempre com todos os meus defeitos e qualidades, e ensinou-me a amá-lo da mesma forma. Mas sabes, acontece uma coisa muito estranha, antigamente às vezes eu também chorava. Ou porque o Pai me ralhava, ou porque eu me enervava, por essas...

Amor de filha

Paizinho, Estou já à 5 meses sem a tua presença.  Estou à este tempo todo sem ouvir os 5 sentidos que tanto fazias questão de usar e por vezes abusar...quando falavas tanto até eu dizer "mas que chato" e tu respondias com aquele ar que me irritava ainda mais "estava a ver que não refilavas"...como me enervava, mas fazia me sempre esboçar um sorriso assim disfarçado...Que saudades. Coisinhas de pai e filha, não é? Hoje preciso que me oiças com muita atenção. Quero confessar-te uma coisa... Quero confessar-te que jamais pensava que te pudesse amar tanto. Quero confessar, a ti e a todos aqueles que nos lêem, sem vergonha de o escrever, que jamais pensava que fosse sentir tanto a tua falta.  Quero sussurrar-te com todas as letras o quanto te amo. Quero gritar ao mundo o amor incondicional de uma filha dorida, ferida,massacrada pela tua ausência. Mas ainda assim uma filha que entende que isto é o amor. O amor ao Pai, o amor à família, aos valores, às crenças...

Cuida-me

Pai, Hoje talvez seja a primeira vez em que sinto dificuldade em escrever alguma coisa para ti...para nós. Talvez porque as saudades são tão grandes e doem tanto que formam um bloqueio envolta do meu coração, dos meus pensamentos... e o mais fácil é o que tão bem sabes e talvez vejas...chorar...mas ainda assim não alivia, ainda assim não atenua nem uma pequena parte daquilo que se sente. Porque é que isto não passa? Porque é que cada vez é mais dificil encarar a mudança, a tua falta? Porque é que cada vez é mais doloroso olhar para as tuas fotografias e perceber o teu sorriso, o teu brilho pela vida, a tua dedicação para com todos?  Porquê? Porque é que se torna tão duro e tão sofredor viver esta realidade e simplesmente não nos habituamos? Seria demasiado simples, não é? Como tu dirias. O que é fácil demais, perde o sabor... Caraças. Sempre concordei nisso contigo, mas agora...é tão diferente. Perante novas situações , o ser humano altera a sua capacidade de resposta....

Jardim Eterno

Pai, Passaram 3 meses...Olho para trás e continuo com um sentimento ambíguo... tão pouco tempo...mas tanto tempo contado, tanto tempo sofrido...tanto tempo sem ti. Sinto que o meu coração está mais contido, as palavras mais escassas. Sinto que deixei de dar importância a coisas que julgava serem relevantes, mas também sinto que deixei de lado algumas coisas que continuam a ser importantes. A vontade de agir e reagir é difícil de manter, ou até mesmo de encontrar. Abrir os olhos todos os dias matinalmente é uma tarefa bastante dolorosa,o caminho mais fácil era só um, o permanecer impávida num só lugar, num só local...mas o pensamento em ti ajuda a meter os pés na rua sinuosa. O pensamento no Homem lutador que sempre vi em ti obriga-me a não fraquejar, ou pelo menos a tentar não fraquejar. Sinto-me tão cansada Pai, sinto-me a desmoronar cada dia um bocadinho e tenho medo do abismo. Eu tento-me abstrair, eu tento ocupar os dias, as horas, os pensamentos...mas tudo parece aborreci...
...Saudaditas da tua voz, a cantarolar. Da tua, A.Pinheiro 24/08/2016

Enraizado em mim

Pai, Hoje é o dia. Hoje é o dia em que choro a tua ausência nestes longos, demorados e difíceis 2 meses. Choro sem querer parar, como forma de modificar alguma coisa ou de ficar, pelo menos, mais leve. Hoje é o dia em que as poucas palavras que me possam apetecer dizer, não saem porque existe um nó. Um nó cego. Um silêncio pesado, opaco e forte que não deixa sair nem uma palavra, porque nada do que possa ser dito, falado e conversado, altera a dor da memória… Continuo neste turbilhão da vida sem ti. Que remédio, costuma dizer a mãe. Mas sabes, tem sido difícil. Tem sido tão difícil, Pai! Nem eu mesma percebo o quão é doloroso. No ritmo do dia-a-dia que nos é exigido não me apercebo. Só quando paro. Quando chego e olho e não estás. Quando vou e olho e não estás. Quando espero a “boa noite”, o “bom dia”, o beijo repenicado, o beliscão no braço, o pisar do pé só porque sim. Quando recordo coisas que dizias e percebo que a voz não existe mais, só na minha cabeça, só no meu interior…...