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Coração

...De olhos rasos de cada vez que a cabeça se lembra... ...De suores por todo o corpo e pernas bambas de cada vez que olhamos à volta... ...Com falta de força para levantar e ir...mesmo sem saber para onde... ...Com angústia pelas horas que passam...revolta por passarem lentamente e tristeza por passarem ao mesmo tempo tão rápidas... ...Onde estás tu, que não te encontro onde supostamente deverias estar? ...Onde está o barulho da chave na porta? ...Onde está aquele "então, como é?" sempre que chegava ao pé de ti? Onde estás tu,Pai? Sabes o quanto isto dói? Acho que se soubesses voltavas...voltavas sim... ...De coração apertado, choro. ...De coração dorido, grito no silêncio dos meus pensamentos. ...De coração cheio de lembranças, interrogo-me... Porquê? Porque é que isto nos aconteceu? Se estava tudo tão bem...porquê? Uma semana passou...tão pouco tempo mas tão difícil... Parece que passa tão rápido, mas é tão lento ao mesmo tempo......

PAI....

Pai… Não consigo encontrar palavras certas, ou pelo menos acertadas, para expressar o que vai dentro de mim…Não consigo sequer qualificar esta dor, que arde por dentro, que corrói, que agonia e aperta, que sufoca, que nos faz sentir ocas de um momento para o outro… Todas as lágrimas que saltam dos nossos olhos não chegam nem perto do sufoco do coração… A impotência de não poder fazer mais nada, a tristeza do fim dos momentos, dos cheiros, do sorriso, das brincadeiras…do toque das mãos grossas, mas meiguinhas, o som da voz firme, mas dedicada…é tão difícil lidar com esta dor…inexplicável…inigualável… Foram 2 meses preocupantes e 15 dias demasiadamente intensos…e o desfecho foi o pior que poderia ter acontecido e o pior que poderia ter sequer imaginado. Nenhum de nós o pensava sequer… Interrogo-me tantas vezes se fiz tudo, questiono-me tantas e tantas vezes se fiz o suficiente… Desvalorizei inicialmente algumas queixas, sim confesso, mas depois…os sinais foram sendo mais…...

Coração de Natal

...Ainda acreditamos que o tempo é e será o melhor remédio para tudo, ou quase tudo. Acreditamos nisso pois temos de nos fazer valer de algo para dar continuidade ao dia a dia de cada um. Precisamos acreditar em algo para não doer tanto, queremos acreditar em algo para atenuar a falta da presença, do cheiro, da voz, do riso, do olhar, do toque, do embelezamento da época... Onde andas tu para dares cor e vida a esta época e a outras?  Onde está a tua gargalhada revigorante? Onde está a energia até altas horas da madrugada onde se falava tanto e escutava ainda mais? Onde está as mãos em concha à volta da nossa cara? Onde está o teu coração cheio de amor e abraçinhos para dar?  ...Esta semana aconteceu uma coisa engraçada. Engraçada não, bonita. Bonita é o termo correto. Num sábado matinal da terrinha, onde se cruzam todos aqueles que nem sempre se vêem na rotina dos dias, cruzei-me com um grande senhor que já não via há algum tempo e as memórias foram inevitáv...

Soha - Mil Pasos

Mãe(s)

Cada um de nós ama de forma diferente. Não existe a fórmula correcta. Sabemos amar e é esse mesmo amor que nos alimenta as entranhas, que nos fortalece e nos dá vida. Há 33 anos que partilho um amor incondicional, diferente de todos os outros. Porque é nosso. É o nosso Amor. A nossa partilha. Eu e tu. Um “Nós” gigantesco onde não deixamos margem para mais ninguém entrar. Tão incondicional que por vezes chega a doer. E dói porque quero ser sempre a melhor aos teus olhos. Dói porque quero sentir na minha pele o que te magoa. Dói porque te admiro mais do que qualquer outra pessoa e sei que jamais essa admiração encontrará substituta. Dói porque erramos umas vezes e acertamos outras. Consoante os momentos. Conforme as palavras escolhidas, ou não. Um amor tão incondicional que as palavras tornam-se escassas e demasiado inexpressivas para o definir. Um sentimento tão forte que se torna inenarrável perante aqueles que nos olham ou tão somente nos observam. Amo-te. Simplesmente. Por tudo aq...

Votos para 2015

Nesta altura do ano quase que inevitavelmente damos por nós a fazer uma retrospetiva do que vivemos ao longo dos 365 dias passados... Não sou de definir objectivos. Gosto de relembrar o que marcou. Só. Seja pela positiva ou pelo negativa. Ambos os momentos acabam por ser uma lição...na altura temos imensa dificuldade em ver esse ensinamento, mas posteriormente a nossa mente e o nosso coração chegam ao cerne da questão. Pelo menos eu penso assim. No inicio do ano sabe bem pensarmos que vamos começar ou reiniciar mais um ano, com tudo o que de cor de rosa nos possa trazer...como se fosse possível!!! Somos tão ingénuos quando queremos. De há três anos a esta parte não tenho pedido nada. Aliás não tenho por hábito vestir lingerie azul ou subir em cima da cadeira para comer as passas porque não gosto delas, portanto não partilho dessas superstições mais usuais nesse dia especifico. Acabo por interiormente fazer a contagem da meia noite e agradecer. Simplesmente agrad...

TU...

"Tu eras o Natal... Toda Tu eras Natal...aguardava ansiosamente essa semana para te receber...adivinhava-se sempre tanta alegria, vivacidade, presépio, cor, embrulhos...doces, panelas a fumegar, conversas até altas horas ao lume sobre tudo e mais alguma coisa...umas prendas didácticas e outras "prendas teenagers" como lhes chamavas...gostava tanto...e tenho tantas saudades... Mas tantas que até chega a doer por vezes... Quatro anos sem qualquer tipo de espírito...simplesmente porque tinha de ser e porque algumas pessoas perto de nós merecem o esforço... 4 anos quando o pai adoeceu...e no ano seguinte foste tu que foste "embora"...uma tristeza profunda apoderou-se de nós...a vivacidade que existia deu lugar a um sentimento de vazio, de dor, de rancor...o pensamento "tomara já que esta época passe" assola-nos a mente constantemente...e não havendo crianças pequeninas no seio familiar tornou mais fácil que a época passasse em vão... Em ano...